No Interior da Noite


ALFREDO SOUTO DE ALMEIDA
Jornal do Commercio/RJ
Coluna Arte e Mercado
13 e 14 de setembro de 1992

 

 

 

A NOITE DE ANA
(Excertos)

 

“A noite não é simplesmente um negrume sem margens nem direções. Ela tem sua claridade, seus caminhos, suas escadas, seus andaimes”.

A pintora Ana Vaz incorporou ao ser criar a essência do belo poema de Cecília Meireles que incluiu no catálogo de sua exposição, adequadamente intitulada No interior da noite, que a Galeria Bonino apresenta a partir da próxima 3ª feira.

Ana pinta a solidão urbana tendo, como pano de fundo, a vida noturna a grande cidade, objeto central de sua atual mostra.

São trinta e dois óleos sobre tela. Quem for à exposição, vale ver o que Ana Vaz tem a dizer. E vale também ler o poema de Cecília Meireles, do livro “Doze Noturnos de Holanda – Flor de Poemas”. E guardar o catálogo.

 


 

MÁRIO MARGUTTI
Jornal do Commercio/RJ
Coluna Capital Cultural
20 e 21 de setembro de 1992


CLARIDADES NOTURNAS
(Excertos)

“No interior da Noite” é o título da exposição de pinturas que a artista pernambucana AnaVaz está apresentando na Galeria Bonino [...]. O confronto entre o ser humano e seu ambiente citadino é o tema que fascina esta artista [...]. A vida noturna dos bares, luzes e pessoas solitárias vagando pelas ruas, cenários de insônia, todos construídos com planificação geométrica dinamizada por grafismos que eletrizam a imagem: eis o resumo desta interessante mostra, que revela uma artista ao mesmo tempo lírica e de fatura rigorosa na sua construção. [...] Recomendamos para colecionadores atentos.

 

 


 

IVANA MOURA
Diário de Pernambuco/PE
Caderno Viver
09 de dezembro de 1992

 

 

ClLARIVIDÊNCIA NA NOITE
(Excertos)

 

Enquanto os amantes ardem de paixão, os notívagos fazem um mergulho no mistério da noite, seus tons, segredos, suas linguagens de mil sinais. A artista plástica Ana Vaz lança seu olhar sobre o lado noturno do segundo grupo. Na solidão que impera, mesmo com a constante ânsia por comunicar-se, exibir-se, encontrar com seres quase sempre tão iguais em desgraças e contentamentos. Durante quase todo o ano ela debruçou-se sobre o tema para produzir sua mais recente série. [...] São cenas noturnas de interiores, utilizadas como metáforas de encontros, ou melhor, desencontros dos seres humanos.

Em foco, a questão do homem como ser urbano em confronto com seu habitat. Nesta mostra, suas figuras prosseguem anônimas, como sugestão de ocupação dos espaços, sem ser necessariamente o centro das atenções. “São vestígios, a presença humana cifrada”, conta Ana Vaz.

Depois da série Mito/Lógica quando homens e mulheres apareceram como motivo maior, Ana Vaz passou a ter um desapego à figura, no sentido de transposição documental. Seu enfoque a partir daí passou a ser formas humanas sugeridas, quase etéreas, no fundo ao espelho, no balcão do bar, como nos quadros dessa exposição Gambrinos, Retrato e Diagonais.

Para compor esta série de pintura bem elaborada, em óleo sobre tela, de superposição de camadas, Ana Vaz viajou lugares, desenhou, fotografou, num processo lento e contínuo. Ela quis sentir o clima da noite para transformar em fragmentos de um percurso imaginário. “O tema da solidão das pessoas cercadas por outras e ao mesmo tempo sós me atrai”, confessa.

Seus temas abordam uma visão intimista dos questionamentos do homem enquanto essência. Para chegar ao seu estilo pessoal, muitas vertentes que a influenciaram, como surrealismo, expressionismo, hiper-realismo, foto realismo e pop art, foram coadas pelo seu crivo crítico. “Acho que o artista precisa ser um pouco ateu ao que existe de consagrado”, comenta.

Sobre a solidão, tema sempre presente na sua obra sob um aspecto ou outro, ela afirma que desde muito nova conviveu com a solidão. “Mas uma solidão bom astral”, ressalta. “Acho importante estar só”. A sua releitura pessoal busca, nesta nova fase, a clarividência na noite. É só abrir os olhos e apreciar.

 

 


 

ALEX
Jornal do Commercio/PE
10 de dezembro de 1992

 


ANA VAZ
(Excertos)

Eduardo Machado [...] ao lado de Fernando Villa Chan, comanda a abertura da exposição de um nome consagrado nas artes plásticas de Pernambuco, e mesmo do Brasil: Ana Vaz. Eu diria que a fama de Ana Vaz vai um pouco além. Estava em Paris quando fui ver uma de suas exposições, na Rive Gauche.

Tendo passado por várias fases, Ana Vaz intitulou esta sua mostra atual de No Interior da Noite, flashes coloridos e geniais do interior de bares, de outros aposentos, onde a figura humana, acompanhada ou sozinha, parece estar sempre em solidão. Uma grande pintora, para sintetizar. [...]