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RAYMOND PERROT
Cahiers de la Peinture n. 126 – décembre 1981, p. 9
L’ESPACE CACHÉ
ANAVAZ (Galerie l’Oeil-de-Boeuf 51, Rue Quincampoix, Paris 4e, jusqu’au 15 janvier 1982)
Dans une récente participation à une manifestation de groupe, à l’Inter-Forum des Halles, Ana Vaz, jeune peintre brésilienne, a centré son exposition, en 16 tableaux, sur les humains qu’elle a côtoyés dans les wagons du métro, son observation confirmé par les photographies de Ribeiro exposées en même temps sous le titre « L’Espace Caché ». Le peintre n’a pas tout retenu de notre mise en boîte souterraine, on y voit les parquets que nous aimerions, reluisants comme des patinoires où nos démarches, harassées, deviendraient des gestes élégants. Cette visible ironie renforce la notation de l’invisible : une humanité en déplacement vers la clarté.
Le soin apporté à la définition d’une barre de métal, d’un caoutchouc de porte, d’une lettre du nom de la station, montre une grande technique de la précision, contrastée avec des techniques, non moins intéressantes, de perte de contour, de superposition des formes, de passage de tons.
De ces observations, on peut conclure qu’il y a une large tendresse de ce peintre pour ses spectres fugitifs tandis qu’elle observe dans les matériaux, travail des glacis rappela la céramique, la naissance d’autres spectres : un être, un objet inattendus. Le peintre cherche ici sa métaphore avec l’état de passage
Ana Vaz se retrouve dans l’exposition « Objets, Objectifs, Objecitivité des Femmes » à la Galerie l’Oeil-de-Boeuf.
Le Matin des Hauts de Seine/France
5 octobre 1982
LE DERNIER JOUR D'ANA VAZ

Vite, vite. Vous n’avez plus qu’une journée pour aller voir l’exposition d’AnaVaz. Cette jeune femme peintre brésilienne est fasciné par les petits faits de la vie quotidienne. Son univers de prédilection : le métro. Elle l’aime, cet endroit d’acier et de néon. La lumière blafarde qui nous donne des traits cadavériques est pour elle une source dínspiration ; elle lui permet de construire une multitude de figures techniques. Avec ironie, elle mêle les personnages entre eux, ils se composent et se décomposent mutuellement pour former une masse compacte et indeterminée. Cette vision personnelle est traduite par une technique subtile et bien maîtrisée.
Alors, pour voir le métro comme vous ne l’avez jamais vu, précipitez-vous tout de suite au centre Gérad Philipe. Demain, il sera trop tard.
JACI BEZERRA
Jornal do Commercio/PE
Caderno C
26 de abril de 1983
METRÔ-POLIS OU L'ESPACE CACHÉ
Paris – há quem diga – não é mais a esfuziante e romântica cidade da geração de Hemingway. Uma festa para o espírito e para os olhos. Outro espírito mais lírico, porém, e possivelmente mais inclinado à aventura haverá de protestar. É uma festa, sim. E esfolhará para os ouvidos deslumbramentos e maravilhas. O equilíbrio, dessa maneira, residirá no meio das duas opiniões. Ou não? O certo é que muitas das imagens antigas, romanticamente líricas, foram substituídas por outras que chegaram com o desenvolvimento da técnica. A Paris de Hemingway desenvolveu-se, cresceu, sem que isso, no entanto, acabasse com as suas maravilhas. Por que não dizer que outras maravilhas foram acrescentadas às mais antigas? O metrô, por exemplo, não seria uma dessas maravilhas? Parodiando Drummond, poderíamos dizer que o metrô aproxima os homens. Sim? Não?
Metrô-polis ou L’Espace Cachê é o título da exposição de pinturas que Ana Vaz, pernambucana, depois de passar sete anos na França, mais precisamente em Paris, apresenta na Galeria Metropolitana de Arte Aloísio Magalhães a partir das 20 horas do próximo dia 26. A mesma exposição que teremos oportunidade de var aqui no Recife, posteriormente será apresentada no MASP, em São Paulo. Essa, porém, já é outra história. O que nos interessa, na verdade, é transitar pelo universo criado por essa pintora que, aprendendo as “levezas e delicadezas do pincel”, construiu e vem construindo, no depoimento do crítico Ruy Sampaio um trabalho hoje tão sólido e tão avesso às facilidades do artifício e do efeito que constitui uma surpresa gratificante. Isto para o crítico e certamente para nós. Raymond Perrot reforça essa opinião. Escrevendo sobre a pintura de Ana Vaz, que “tem como tema central personagens que ela acompanhou nos vagões do metrô”, o crítico francês acentua “o cuidado com que são tratados seja a definição de uma barra de metal, seja a borracha de uma porta ou d uma letra do nome de uma estação, nos mostra o domínio de uma grande técnica de precisão, contrastada por técnicas não menos interessantes de perda de contornos, de superposição de formas, de passagens de tons”. E se refere a “uma ternura extrema por parte da artista em relação a esses espectros fugidios”.
Deixemos, porém, a opinião dos críticos, e voltemo-nos para o universo construído pela pintora. Façamos de conta que ela nos enviou uma carta de Paris. Ou que esteja conversando conosco. Estamos em Paris, então, mergulhados numa atmosfera de sonho: “Paris em seu metrô. Transeuntes anônimos e solidários em sua solidão retomam o dia. A politesse social cohabita com a violência psíquica. E o metrô respira, cheira a carne, tem vida.
Este é um outro lado da cidade, provavelmente menos turístico, mas cheio de particular fascínio. Os trens se sucedem em segundos regulares, um violão quebra o ritmo constante do deslizar nos trilhos. E no vagão se misturam a música, o jornal matinal, o crochê e o pão. São retalhos de Paris e, mais que isso, uma mistura de gente que se confunde, se funde, e que, entre os brancos, os amarelos e os negros, termina por compor essa cor de Paris. Cinza-Paris. E que não é triste, apenas misterioso, como o mistério que há na neblina, nos flous, nas indefinições.
No metrô de Paris, o tempo não conta. Ele é apenas sugerido na seqüência das roupagens. Ora leves e coloridas, com o sol escondido entre pregas, ora densas e escuras, com prenúncios de azuis intensos ou pretos invernais. Só a velocidade é uyma constante. Tudo urge e tudo corre. Tudo se movimenta. Um tempo em semicolcheias, ritmos que se sucedem, pedaços de luz sem sombras. Nos vagões do metrô a luz é permanente. Uma luz linear, onde o néon domina. Um azul esbranquiçado e insolente que se aguça e invade as estações. Passageiros azulados, metais e corpos azulados. Eis os fragmentos de um cenário posto em azul. Sem noite e dia, o sempre dia se sucede até a última hora. E à uma hora silenciam os trilhos. O mundo submerge. Dorme o metrô. Lagarta de fogo à espera do outro dia”.
Esta, certamente, não é a Paris de Hemingway. É a Paris que avança com a técnica e aproxima os homens. A Paris de Ana Vaz, a ser apresentada, como dissemos no início, na Galeria Metropolitana de Arte, a partir das 20 horas, no dia 26.