Olinda Transfigurada


 

 

 

Correio Braziliense/DF
07 de outubro de 1985

 

ANA VAZ: “OLINDA TRANSFIGURADA”
(Excertos)

 

 

Uma Olinda vista por dentro e diferente dos clichês do paisagismo turístico é o que propõe a artista plástica Ana Vaz com a série “Olinda Transfigurada” que se inaugura hoje na Galeria Paulo Figueiredo e permanece aberta até o dia 21 de outubro.

Para quem memoriza a Olinda dos casarios e da beleza natural este outro lado não deixa de surpreender. Nos 12 quadros que expõe em Brasília, Ana Vaz ressalta todo o clima de mistério de uma cidade “meio fantasma” segundo ela. Ana prefere os mamulengos deixados nos cantos das velhas casas onde os guarda-chuvas podem se transformar, de relance, em morcegos, do que a tradicional paisagem tão divulgada da cidade histórica. É a pouca luminosidade dos interiores, as velhas cadeiras e os cantos de sala que Ana destaca, também para fugir dos clichês, que sempre retrataram aquela Olinda turística cheia de festas, igrejas suntuosas, carnaval e muitos turistas. O “outro lado” existe. É Ana Vaz que o descobre em seus trabalhos.

[...] A mesma necessidade de mostrar o cotidiano, que se manifestou na série do metro de Paris – onde ia viver seis anos – reaparece nos trabalhos atuais de Ana, mas de uma forma diferente com outros registros e principalmente outras cores, fruto já de sua experiência no Brasil.

[...] Realizando séries que para ela soma sempre os fragmentos de um grande e gigantesco quadro, Ana afirma ver cada exposição como fragmentos de um mesmo tema. Foi assim com relação à exposição Espace Cachê”, sobre o metrô de Paris e o mesmo se verifica com esta exposição sobre Olinda.

 



Jornal de Brasília/DF
07 de outubro de 1985


ARTE: SIGNO CONSTANTE DA DUALIDADE TEORIA-PRÁTICA

 

 

 

[...] Essa é a primeira vez que Ana Vaz mostra seus trabalhos em Brasília. [...] A obra de Ana Vaz deve ser compreendida sempre sob o signo constante da dualidade teoria-prática, ou como bem define Sampaio: “De um lado, escolhas e valores, elementos do discurso; de outro, as soluções técnicas e formais, a linguagem. Ambas metades de uma alquimia, que não poderá ser perdida de vista se pretendemos da obra de Ana Vaz uma leitura mais ambiciosa.”