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Jornal do Commercio/PE
Caderno C
7 de novembro de 1995
ANA VAZ ABRE JANELAS À LUZ

Frestas permitem espiar e alcançar a luz. Este é o tema da exposição que a pintora AnaVaz, estará fazendo a partir de hoje na Artefacto. Com essa exposição ela dá continuidade ao trabalho que apresentou em 88 em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, intitulado Noturnos.
Na primeira série, ela mostrou janelas fechadas, entreabertas, pouco iluminadas. Segundo o crítico Jaime Klintowsky, nas transparências dos véus, nas pessoas de costas, nos vislumbres do ser, nas sombras humanas, nos vestígios adivinhados, Ana colocava interrogações.
Agora, sete anos depois, Ana revisita as janelas. O clima já não é mais soturno, os tons escuros foram substituídos por áreas de intensa luz. Os contrastes estão mais rebuscados, seja em claro-escuro, seja em claro-sobre-claro. As linhas agora estão nítidas e as cores estão harmonicamente arranjadas. A luz é dominante. [...].
ORISMAR RODRIGUES
Diário de Pernambuco/PE
Caderno Viver
7 de novembro de 1995
UM MUNDO MÁGICO VISTO ATRAVÉS DE FRESTAS
(Excertos)
Ausente das galerias do Recife há mais de três anos, a artista plástica Ana Vaz inaugura hoje, na Artefacto, individual intitulada Frestas, um desdobramento da série anterior Noturnos. Através destas “frestas” a artista desvenda um mundo harmonioso e diáfano feito com traços suaves, como suave é toda a composição da série. O mistério que está por trás das vidraças das janelas envolve igualmente o salão onde a transparência de uma cortina ou um vaso de flores não dissipam a bruma que angustia a artista. A magia persiste num universo infinitamente criativo.
[...] O sonho de Ana Vaz, mesmo cheio de luz – ali[as, luz que ela diz perseguir – revelado em tons delicados, onde nem o amarelo nem o vermelho interferem, é triste. Sua visão melancólica supostamente em paz, parece estar executando um dos “Noturnos” de Chopin, tal é a solidão que cada quadro retém. O olhar luminoso e limpo da artista no seu trabalho não lhe esconde a opacidade. Sua janelas (não será o seu interior?) claras, sempre fechadas, mostram lá fora, embora em névoas, que existe o verde. A introspecção e o intimismo na arte de Ana Vaz fazem com que quem olhe para ela, faça também uma viagem ao seu interior. [...]